O xadrez e a minha namorada indiana

“A partir do momento em que inventam um jogo de tabuleiro com um bispo, um cavalo, uma torre e uma rainha à molhada, algo se passa. Isto é gente que bate mal da pinha.”



O Benfica marcou, sofreu um golo e marcou logo a seguir outra vez. Raios partam, eu quero estar tranquilo a ver bola, não quero ter suores frios do nada, a meio de um jogo. Para isso, já bastam as minhas ressacas.

E por falar em noites alternativas, o adversário foi o Boavista. E a alcunha deste clube é “os axadrezados”. E isso remete-nos para o xadrez, que é, claramente, um jogo para gente alternativa. A partir do momento em que inventam um jogo de tabuleiro com um bispo, um cavalo, uma torre e uma rainha à molhada, algo se passa. Isto é gente que bate mal da pinha. Quem teve esta ideia, estava a ver um filme de guerra e pensou: “Epá, isto era giro era tornarmos este cenário de batalha medieval num jogo de tabuleiro!” Que faz todo o sentido. E deve fazer mesmo, porque o xadrez foi inventado no século VI e ainda o jogamos.

Já agora, ficam a saber, caros leitores, que o xadrez foi inventado na Índia. O que me faz lembrar de uma antiga namorada minha indiana, que tinha aquelas pintas encarnadas na testa. Eu olhava para ela e não me sentia perdido, só pensava: “Você está aqui!”

Lembro-me que um dia comprei uma raspadinha e saíram-me 100 euros. Fiquei tão entusiasmado que esfreguei também a pinta dela na testa, com a esperança de que me saísse um carro de luxo. Mas saiu-me um fim de namoro.

*Comediante e adepto do Benfica

Ler mais
PUB