Ganhar o Europeu para estar depois na final do Mundial

Portugal acabou a fase de grupos como líder e ficou no lado da ‘chave’ em que precisará de eliminar selecções do Velho Continente se quiser chegar ao jogo decisivo do dia 18. O primeiro opositor é a Suíça, já na terça-feira (19h00), e depois, se Marrocos não prolongar a surpresa e Portugal superar a tarefa dos ‘oitavos’, teremos um duelo ibérico. Mas há uma verdadeira montanha europeia para escalar até ao encontro do Lusail Iconic Stadium.



Finda a fase de grupos, Portugal cumpriu a obrigação de passar aos oitavos-de-final do Mundial 2022. Olhando para os factos, a equipa das quinas fez o que lhe competia; qualificou-se, como 1.ª classificada, o que acontece apenas pela terceira vez, com triunfos sobre o Gana e o Uruguai. Claro está que a derrota com a Coreia do Sul de Paulo Bento tem de ser levada como um aviso sério, se calhar parecido com aquele que a França recebeu da Tunísia, a Argentina da Arábia Saudita ou a Espanha do Japão. Mas é preciso ver as coisas pelo prisma certo. A derrota com os asiáticos surgiu numa altura em que a ‘passagem’ já estava carimbada e Fernando Santos optou por fazer mudanças, precavendo amarelos a Rúben Dias, Bruno Fernandes e João Félix que os afastava, automaticamente, do encontro dos oitavos-de-final diante da Suíça, a realizar na próxima terça-feira, às 19h00 portuguesas, no palco da final, o Lusail Iconic Stadium.

Depois disso, há duas estradas para a final. Portugal vai rodar numa via quase europeia. Por outras palavras, Portugal vai disputar um verdadeiro Europeu de futebol. Caso vença na próxima terça-feira Portugal terá um jogo de cariz histórico no sábado seguinte, muito previsivelmente com a Espanha, que vai medir forças nos oitavos-de-final com Marrocos, uma das sensações da prova - terminou à frente da vice-campeã mundial Croácia e meteu a Bélgica no avião de volta para casa.

Nas meias-finais, seguindo a lógica do mais forte, Portugal, caso ainda esteja em prova, terá, muito provavelmente, pela frente a Inglaterra ou a França. Se os britânicos se apresentam com uma geração de enorme talento, salpicada com bastante juventude, a França tem em Mbappé e Griezmann os seus grandes artífices depois de terem sido dizimados pelas lesões - Kanté, Pogba, Benzema, Kimpembe Nkunku.

Ou seja, Portugal só na final poderá encontrar selecções como o Brasil ou a Argentina.

A doer é melhor

O primeiro ponto que salta à vista é que Portugal não tem um historial positivo com os seus prováveis futuros adversários. A Espanha de Luis Enrique é um dos adversários de má memória recente, pois Portugal perdeu, no passado mês de Setembro, em Braga e com isso ficou fora da final-four da Liga das Nações.

O historial com Inglaterra e França também não é nada favorável. Reparando no resumo dos duelos com os gauleses percebemos que desde 1975 que Portugal não vence a França no tempo regulamentar, muito embora a grande conquista do futebol português tenha sido diante da França, em Paris, na final do Euro 2016 com o tal golo de Éder aos 109 minutos.

O balanço dos encontros com a Inglaterra também é negativo para a equipa das quinas, contudo, a doer, Portugal tem sido mais forte nos últimos torneios de selecções. No Euro 2000 venceu por 3-2 na fase de grupos, no Euro 2004 afastou a selecção então comandada por Eriksson nas grandes penalidades e dois anos mais tarde, no Mundial 2006, Portugal voltou a eliminar a Inglaterra no desempate da marca dos 11 metros. Destes dois últimos encontros sobrevive até hoje na selecção nacional Cristiano Ronaldo. Um duelo com a Inglaterra terá sempre um gostinho especial para o madeirense, principalmente depois dos mais recentes acontecimentos...

Com os oitavos-de-final a começarem já este sábado importa dizer que a grande desilusão do Europeu foi a Alemanha. O velho ditado de ‘são 11 para 11 e no final ganha a Alemanha’ está cada vez mais em desuso - este é o segundo Mundial consecutivo em que os germânicos não conseguem passar da fase de grupos.

Mas há mais equipas que conseguiram surpreender tudo e todos pela negativa. A Bélgica foi uma sombra, deixando de lado a aura de talento que a qualquer momento podia materializar com a conquista de uma grande competição. E o Uruguai com um meio-campo dos ‘estilistas’ Bentancour, Arrascaeta e Valverde também sai da prova sem honra nem glória. E o que dizer da Dinamarca de Eriksen que só fez um ponto, fruto do empate com a Tunísia?

O que parece é que este Mundial está a mostrar que há equipas bem preparadas e em várias zonas do globo. A Austrália mostrou que é mais do que 11 jogadores de grande disponibilidade física, o Japão cometeu a proeza de vencer Espanha e Alemanha e Marrocos revelou ter um plano associado ao talento. Uma nota final para os treinadores portugueses Paulo Bento e Carlos Queiroz. O primeiro passou aos oitavos e agora nada tem a perder pois o seu opositor é o Brasil. Conseguir afastar o Uruguai, principalmente depois de ter batido Portugal no tudo ou nada, é uma medalha bem luzidia. O Irão esteve a um passinho da qualificação, mas mostrou futebol e resiliência aos problemas extra-futebol que assolaram a equipa.

Os mais e os menos do Mundial

A SUBIR

Marrocos

Que extraordinária selecção. O que fez na fase de grupos foi, simplesmente, algo de genial. Não sofreu golos da Croácia, venceu a Bélgica, também sem ir buscar qualquer bola ao fundo da baliza, e ainda acabou como líder do grupo. Aguça a curiosidade para o duelo dos óitavos’ com a Espanha e, como já se diz por piada, quem vencer fica com Ceuta.

Coreia do Sul

Paulo Bento merece um destaque especial. A Coreia começou com um empate promissor com o Uruguai, perdeu, sem o merecer, frente ao Gana e na hora do tudo ou nada, sem o português no banco, bateu uma das melhores selecções do mundo; Portugal. Não se pode pedir mais aos asiáticos que vão divertir-se diante do Brasil. O Mundial da Coreia do Sul está feito.

A DESCER

Alemanha

Candidata à vitória, como é quase sempre seja qual for a competição, a Alemanha está a passar por um período grave na renovação do seu elenco - não tem lateral-direito de qualidade, não tem um avançado que resolva. Ser eliminada pelo Japão e sofrer quase até ao fim para levar de vencida a Costa Rica não é nada condinzente com o estatuto da selecção alemã.

Bélgica

Da mesma forma que foi uma pena ver Luís Figo, Paulo Sousa, Rui Costa e Fernando Couto terminarem as suas carreiras na selecção sem um troféu, é uma lástima que De Bruyne, Eden Hazard, Mertens ou Lukaku não confirmem na maior competição de selecções a qualidade que vimos destilar semana após semana nos seus clubes. A eliminação na fase de grupos é um desastre.

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