Adeus a um herói da redoma de vidro no fechar de 2021\22

Sporting fechou a temporada desportiva com uma goleada (4-0) ao Santa Clara - golos de Bruno Tabata, Pedro Porro, Pablo Sarabia, que fez o último jogo pelos leões, e Marcus Edwards.



A Lusitânia era um território que abrangia parte de Portugal e parte da estremadura espanhola e foi lá que nasceu Viriato, um líder combatente de grande coragem e astúcia que combateu a expansão romana nas guerras lusitanas.

Segundo o que é possível apurar sobre si, Viriato era um pastor que se converteu em soldado e que pela sua prestação diferenciada em batalha se tornaria um líder carismático e respeitado. Sobre Viriato escreveu-se sobre os seus feitos e sobre a sua coragem e determinação, cravando nas páginas da história o simbolismo de um herói. No fundo, um herói é para quem nós represente alguém com uma capacidade singular para superar um problema ou obstáculo com grande dimensão e pouco alcançável à maioria. O herói rege-se por ideais de altruísmo como a coragem, o sacrifício ou a justiça e abraça para si um destaque no coração de quem admiravelmente reconhece os seus feitos e a sua dimensão heroica.

No mundo do futebol, e principalmente no nosso futebol nacional, o jogador tornou-se inacessível, distante e foi colocado numa redoma imaginária que não permite proximidade. Alguém inventou e propagou a doutrina de que os atletas precisam de estar isolados do meio externo para terem sucesso e concentração, para serem efectivamente rentáveis e isso criou uma distância sentimental entre os adeptos e os jogadores levando a que a margem de tolerância para com estes “seres intocáveis” fosse reduzida a quase nada. Criou-se um ideal até entre os adeptos de zero ídolos, de indiferença para com os heróis do jogo que, assim, passaram a memorias tremidas e pouco claras. A repensar pelos clubes!

Por vezes surge no nosso futebol, no nosso campeonato e no nosso clube, um ou outro jogador que naturalmente se consegue propagar para o coração dos adeptos e muitas das vezes com uma naturalidade que não encontra explicação. Em Alvalade, ao minuto 17, criou-se uma pequena homenagem que tentou tocar um pouco no coração de Sarabia, como o seu futebol e a sua qualidade tocaram os adeptos. Não é comum ver um atleta deste “cartel” desfilar pela nossa Liga e quando acontece, independentemente do clube, deve-se apreciar com um sorriso, tentando gravar as memorias a cada jogo que nos possam um dia fazer contar a quem não viu como era Pablo Sarabia.

Alvalade vestiu-se a rigor para a despedida de um craque e para a despedida de uma época, que apesar de não ter o brilho da anterior, não deixa de ser muito positiva, com a afirmação da equipa como candidata crónica ao título de campeã, a vitória na Supertaça e na Taça da Liga e a entrada direta na Champions League.

Vislumbres de um futuro próximo com o futuro 100% Sporting Pedro Porro, com os cada vez mais certos valores Ugarte e Edwards, com os futuros craques Rodrigo Ribeiro e Marsà e ainda com tempo para Virgínia e André Paulo guardarem a baliza leonina. Vitória que cravou um registo igual ao da época anterior com 85 pontos mas insuficiente desta vez para erguer o titulo.

Tempo de descanso e esperança renovada para que 2022\23 volte a ser o ano do leão!

*Ex-director-técnico do Sporting e adepto do Sporting

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