108 medalhas de Pimenta, 111 golos de Ronaldo e o sucesso da canoagem

A canoagem portuguesa não pára de somar títulos. Pimenta, Emanuel Silva, João Ribeiro, Teresa Portela, Joana Vasconcelos e Norberto Mourão, todos acima dos 30 anos, têm sido os contribuintes. Paris 2024 está a três anos de distância e o futuro começa agora.



O que tem a canoagem portuguesa de especial para não cessar de coleccionar títulos olímpicos, mundiais e europeus? A pergunta impõe-se depois dos resultados obtidos no Mundial, no passado fim-de-semana, em Copenhaga, Dinamarca.

Portugal regressou com cinco medalhas divididas pelos três lugares do pódio, o melhor resultado de sempre da canoagem portuguesa num campeonato do Mundo de Velocidade de Canoagem e Paracanoagem. Fernando Pimenta sagrou-se campeão do Mundo de K1 1000 metros e foi prata em K1 5000, João Ribeiro (K1 500) foi vice-campeão, tal como a embarcação mista de Messias Batista/Francisca Laia (K2 200), e, por fim, Norberto Mourão, em canoagem adaptada, conquistou o bronze.

Victor Félix, presidente da Federação Portuguesa de Canoagem, recua uma década para explicar os actuais sucessos. “O ciclo olímpico de Londres 2012, que culminou com a medalha de prata (Emanuel Silva e Fernando Pimenta), foi o grande despertar da canoagem portuguesa”, recorda ao NOVO Semanário. “São dez anos a conquistar posições de pódio em eventos internacionais, Europeus, Mundiais, Jogos Olímpicos e Paraolímpicos.”

Assume não existirem “segredos” por detrás dos êxitos. “É um trabalho da federação, clubes e técnicos, aliado a um conjunto de factores.” Entre eles, discrimina, “o Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho”, onde treinam os “atletas nacionais” e estagiam “equipas mundiais”, permitindo “partilha de experiências” e a existência da “melhor marca mundial, a Nelo”, ao serviço de canoístas “que conciliam a humildade com a ambição”.

A sucessão e Paris 2024

“A par do atletismo, fomos a única federação a conquistar medalhas nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos”, relembra Victor Félix, com Tóquio 2020 fresco na memória.

Na paracanoagem, em estreia paraolímpica, destacou-se Norberto Mourão: acrescentou a medalha de bronze ao título europeu e ao vice-título mundial.

Pimenta, bronze em Tóquio, no espaço de dois meses e meio, antes e depois, foi vice-campeão europeu e alcançou o título mundial, o quarto da carreira. Mais três títulos no palmarés do atleta de Ponte de Lima, em que cabem 108 medalhas em competições internacionais e 14 em Mundiais, 12 das quais enquanto sénior [ver caixa].

Se olharmos para o ciclo olímpico - de Rio 2016 a Tóquio 2020 -, Pimenta sagrou-se três vezes campeão do mundo (2017, República Checa, e 2018, em Montemor), somou ainda dois títulos europeus (Bulgária, 2017, e Sérvia, 2018) e não falhou um pódio europeu ou mundial ao longo dos cinco anos.

Esta montra de sucesso é frequentemente comparada com os golos de Cristiano Ronaldo ao serviço da selecção nacional (111). “Fernandos Pimentas, tal como Ronaldo, e outros, como Emanuel Silva, não nascem todos os anos”, avisa o presidente da federação.

Fernando Pimenta, 32 anos, Emanuel Silva, 34, João Ribeiro, 32, Teresa Portela, 33, e Joana Vasconcelos, 30, são os expoentes máximos da canoagem - todos acima dos 30 anos, o que obriga a modalidade a olhar já para a sucessão.

“Há novos valores, campeões do mundo sub-23 e vices: temos matéria para lutar por pódios”, nota o líder federativo. Ressalva, no entanto, ser “desejável ter mais financiamento para levar mais atletas às competições internacionais, criar uma pirâmide de desenvolvimento no alto rendimento para surgirem novos talentos. Estamos preocupados com essa transição, essa sucessão tranquila na melhor geração da canoagem portuguesa”.

Treinado por Hélio Lucas, o canoísta Fernando Pimenta manifestou, à agência Lusa, o desejo de lutar por medalhas em Paris 2024, depois da prata de Londres 2012 e do bronze de Tóquio 2020. O ouro tolda o pensamento, de forma a tornar-se o único desportista nacional a conquistar os três metais preciosos olímpicos. “Tenho uma de prata, uma de bronze e, para ficar bonito no quadro, seria uma de ouro, como é óbvio”, sublinhou.

“Em Paris, aos 35 anos, tem condições para lutar pelo pódio”, frisa Victor Félix. “Foi bronze no Japão, é medalhado olímpico, e isso fica para a história, mas, para o Pimenta, o segundo lugar não é suficiente. Persegue o ouro.” Em França ou em Los Angeles 2028, “onde diz que continuará a lutar”, remata.

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