Uma volta de Vespa por Portugal

A Vespa cativou pela condução, pelo design e pela aura cosmopolita e de glamour. Mais de 70 anos depois mantém a popularidade.



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Em “Vespa em Portugal - A Beleza em Duas Rodas”, Pedro Pinto recorda a história da Vespa no país. É uma história que se cruza com a de Portugal, com o período do Estado Novo e a transição para o Portugal democrático. Através das palavras do autor, um apaixonado pelo vespismo, o leitor acompanha o percurso da Vespa desde a sua estreia nas estradas portuguesas ao estatuto de lenda, que preserva - um percurso com mais de 70 anos e recheado de histórias, que vão sendo contadas, que enriquecem ainda mais esta obra e ajudam a retratar a evolução de Portugal.

A primeira Vespa chega ao país em 1947. Foi comprada durante uma lua-de-mel e, desta forma inusitada, a scooter italiana da Piaggio começou a circular no território português. Na sequência da Segunda Guerra Mundial, diversas fábricas europeias criam scooters que se espalharam pelo continente, sendo Portugal um dos países onde esta moda pegou. A Vespa, a par da Lambretta, conquistou o seu espaço. A mota italiana cativou pela condução, pelo design - algo que, mais de 70 anos depois, continua a ser um dos seus pontos fortes - e pela sua aura cosmopolita e de glamour, cimentados pelas suas aparições no cinema e pelo toque hollywoodesco, com destaque para a forma como Gregory Peck e Audrey Hepburn deslumbravam a andar de Vespa no filme “Férias em Roma”, de 1952. Também teve um contributo importante para a emancipação de muitas mulheres em Portugal, que começaram a ser vistas com crescente frequência a andar pela estrada de Vespa. Orquídea Graça foi um desses casos, na primeira década da Vespa em solo nacional, e a sua história é uma daquelas que ficam na memória do leitor.

Os anos 50 do século passado foram anos dourados para a Vespa em Portugal e merecem o foco de Pedro Pinto nesta obra. É um período importante para entender a importância que esta mota teve no nosso país, na sua modernização, e o papel que os clubes Vespa tiveram em fomentar o gosto pela mota e na cultura da Vespa que incutiram ao longo do tempo.

A implementação da Vespa foi tornando-se cada vez mais sólida com o passar dos anos. Lisboa e Porto lideraram as vendas destas motorizadas, que lentamente se foram estabelecendo noutras cidades. A Vespa atingiu o domínio no mercado nacional entre as scooters com mais de 50cc nos anos 70. Esse domínio findou nas décadas seguintes, com a ascensão das motas japonesas, mas a Vespa não perdeu o seu brilho nem a popularidade.

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