Uma viagem guiada ao interior da mente dos mais terríveis homicidas de Portugal

Joana Amaral Dias volta a recorrer aos dotes de psicóloga clínica e criminóloga para analisar os assassinos “mais perversos de Portugal”.



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Nenhum leitor de “Psicopatas Portugueses - Livro Segundo” poderá dizer-se levado ao engano, pois a autora alerta logo no prefácio que escreveu um volume “desaconselhado a mentes sensíveis”. “Esta é uma obra totalmente contra-indicada a quem não está sozinho em casa”, remata Joana Amaral Dias, colunista do NOVO, que volta a recorrer aos dotes de psicóloga clínica e criminóloga para analisar os assassinos “mais perversos de Portugal”, tenham os seus crimes sido perpetrados há poucos anos ou no século XIX.

Dos 13 casos recuperados no segundo volume de uma série iniciada em 2020, dois são matricídios, dois são filicídios e seis implicam o assassinato de cônjuges. E só um não culminou em morte, ainda que o sádico estudante universitário do selecto Bairro Azul de Lisboa talvez só não tenha tirado a vida da namorada, sequestrada, torturada e violada durante 48 horas consecutivas, devido à intervenção da PSP.

Pior sorte tiveram as vítimas de Vítor Jorge, o bancário e fotógrafo de baptizados e casamentos que em 1987 matou a mulher e a filha mais velha à facada, após massacrar cinco jovens no areal da praia do Osso da Baleia. Ou o cronista social Carlos Castro, mutilado pelo jovem Renato Seabra no quarto de um hotel de cinco estrelas em Nova Iorque. Já no caso que abre “Psicopatas Portugueses - Livro Segundo”, quando a polícia foi finalmente investigar o que se passava na casa de Abel Ribeiro, na localidade de Albergaria dos Doze, descobriu que uma arca frigorífica branca e horizontal era um “triste túmulo” de Maria, decapitada, esquartejada e congelada pelo filho.

Em cada um dos casos, sem escamotear detalhes chocantes, Joana Amaral Dias aponta as motivações dos mais tresloucados homicidas nacionais. Apresentada pela autora como “o primeiro e único trabalho clínico que reúne os principais protagonistas da criminologia portuguesa, numa viagem aos cantos mais obscuros das suas perversas mentes”, a obra editada pela Oficina do Livro percorre casos de bipolaridade, transtorno psicótico induzido por substâncias, esquizofrenia, transtorno dissociativo, surto psicótico com delírio messiânico ou as personalidades borderline de Maria Malveiro e Mariana Fonseca, que mataram e despedaçaram um homem, espalhando os seus restos por várias partes do Algarve.

No final, além de dois casos do século XIX, com o seminarista Francisco Matos Lobo, último condenado à morte em Portugal, e o médico matador Vicente Urbino de Freitas, vem Rui Mesquita Amorim, condenado pelo triplo homicídio de familiares. E o aviso de que, como uma em cada dez pessoas são psicopatas, “a probabilidade de o leitor ter pelo menos um no seu círculo mais próximo de amigos e familiares é elevada”.

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