Uma viagem ao cinema esquecido realizado por mulheres

“A história do cinema tem sido sexista por omissão”, afirma Tilda Swinton, cuja voz tão bem reconhecemos no início de cada um dos 14 episódios e ao longo de 40 capítulos de “Women Make Film - As Mulheres Fazem Cinema”, a nova odisseia de Mark Cousins, que já antes no mesmo formato tinha contado a história do cinema. Com ela, a Midas Filmes traz-nos uma das maiores edições em DVD deste ano que, juntamente com “Be Natural - A História Nunca Contada de Alice Guy-Blaché”, acabou de chegar também ao grande ecrã e de lançar uma âncora na plataforma de streaming Filmin.



A viagem é longa, mas não parece. São felizes as 14 horas de maratona ensaísta, uma prenda com um laço grande na caixa, oriunda da mente do savant de cinema Mark Cousins, o homem que também nos deu um recontar cronológico da história do cinema em “A História do Cinema: Uma Odisseia” (2001), escreveu uma carta de amor a Welles em “Os Olhos de Orson Welles” (2018) - ambos editados também pela Midas Filmes - e que tem expandido a percepção deste mundo ao longo da sua carreira enquanto cineasta, crítico e até programador de cinema, fornecendo, através do seu olhar, uma subjectividade que também é nossa.Sim, as mulheres fazem filmes. Não são mulheres realizadoras.

São só realizadoras, como diria Chantal Akerman. Demasiadas vezes ao longo de demasiadas entrevistas sobre ela, mulher, a albergar uma câmara, primeiro, e a partilhar o trabalho que desse olhar advém, depois. O título deste urgente trabalho de Cousins, “Women Make Film - As Mulheres Fazem Cinema”, poderia assentar num equívoco, mas tal nunca acontece. Este álbum cinéfilo com mais de mil excertos de filmes de quase 190 realizadoras não é sobre elas nem sobre as suas biografias. E não é sobre o facto de que o seu cinema tem vindo a ser silenciado, tornado invisível por instituições ao longo do tempo. Mas também é. É sobre “o que podemos aprender sobre cinema através delas”. “Queríamos provocar o reconhecimento nas pessoas sobre as narrativas visuais destas realizadoras”, diz o cineasta em conversa com o NOVO. “O desafio passava por agrupar vastas quantidades de materiais. Eu desenvolvi uma maneira de tirar apontamentos [...] demorei anos! E, claro, tudo isto começou bem antes das revelações sobre Harvey Weinstein.”

Tudo isto começou antes - de Alice Guy-Blaché a Dorothy Arzner, passando por Germaine Dulac, de Samira Makhmalbaf a Angela Schanelec, passando por Elaine May -, o passado e o presente do cinema reunido aqui, pronto a ser (re)descoberto.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO nas bancas a 4 de Junho de 2021.

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