Por onde começar neste Porto/Post/Doc

Ainda nos 125 anos do nascimento de José Leitão de Barros, o regresso a “Maria do Mar”, filme mudo que rodou em 1930 com os pescadores da Nazaré, marca este sábado no Rivoli a abertura do 8.º Porto/Post/Doc. Com a presença do americano Theo Anthony, autor do fenómeno “Rat Film”, que para Portugal viaja com esse filme e outros quatro, incluindo o mais recente “All Light, Everywhere”. É um dos dois realizadores em foco, juntamente com o paquistanês Basir Mahmood, no festival que ao longo de 11 dias volta a celebrar o documentário no Porto.



All Light, Everywhere

É o mais recente de Theo Anthony, o realizador de “Rat Film”, o aclamado filme-ensaio de 2016 em que, a partir de uma praga de ratos em Baltimore, explorou os temas da segregação e da pobreza nas cidades americanas. Em “All Light, Everywhere” debruça-se sobre a videovigilância e sobre a forma como é utilizada pelas forças policiais norte-americanas. Questiona-nos sobre como o racismo pode esconder-se por entre as linhas de código informático, e fá-lo-á presencialmente. O festival dedica-lhe uma retrospectiva, com cinco filmes, e ele viaja a Portugal para a acompanhar.

Death, At Least Once

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Do mesmo autor de “All Voices Are Mine” (2018), a partir de um estúdio de cinema em Lollywood, a Hollywood do Paquistão, “Death, At Least Once” (2020) é um dos mais recentes filmes do realizador e artista paquistanês Basir Mahmood, distinguido com o Prémio Paulo Cunha da Silva em 2020 e em foco nesta edição do Porto/Post/Doc. Para este filme, recorreu a um grupo de manifestantes profissionais (contratados por políticos para manifestações) para filmar a sua indignação como quem filma um bailado. Os dois filmes são exibidos na mesma sessão, entre outras curtas.

Distopia

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Com “918 Nights”, da realizadora basca Arantza Santesteban, sobre a sua experiência de prisão por alegada associação à ETA, foi um dos grandes vencedores do 18.º Doclisboa. Semanas depois, o documentário que, quase sem financiamento, Tiago Afonso demorou 13 anos a completar, chega agora a casa. Filmado entre 2007 e 2020 no Porto, entre as demolições, as expulsões e os realojamentos no Bacelo, no Aleixo e na Feira da Vandoma, um filme sobre a gentrificação e a mudança ocorrida nos últimos anos no tecido social da segunda cidade do país.

All The Streets Are Silent

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Surpresa é encontrar-se, em imagens de arquivo, Jay-Z quando tudo começava, entre outros adolescentes. Integrado na tradicional Transmission, secção competitiva dedicada à música e a movimentos culturais do Porto/Post/Doc, chega-nos “All The Streets Are Silent”. Um documentário estreado este ano no Festival de Cinema de Tribeca no qual Jeremy Elkin regressa à Nova Iorque do início da década de 1990 para contar a história das subculturas do hip hop e do skate que, cruzadas, deram a idade de ouro da cultura urbana - e, no cinema, fenómenos como “Kids” (1995), de Larry Clark.

Babi Yar. Context

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No ano em que nos cinemas portugueses se estreou comercialmente “Funeral de Estado”, que acompanhava exaustivamente o funeral de Estaline a partir de imagens de arquivo, algumas delas inéditas, à competição internacional do Porto/Post/Doc chega-nos o mais recente filme de Sergei Loznitsa.
O realizador bielorrusso voltou às imagens de arquivo, desta vez para um retrato da Ucrânia ocupada pela Alemanha de Hitler, directo a Babi Yar, um dos maiores massacres de judeus e civis da história da URSS, ocorrido em 1941 e do qual não existem imagens.

Maria do Mar

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Em 1999, por ocasião do restauro de “Maria do Mar”, Bernardo Sassetti compôs para o filme de José Leitão de Barros uma partitura com música original orquestrada por Vasco Pearce de Azevedo, Bernardo Sassetti e Luís Tinoco - aquela com que o filme estreara em 1930 tinha-se perdido. Este ano, o filme-marco do cinema português foi digitalizado em 4K e, depois de ter sido mostrado no São Luiz, assinalando os 125 anos de Leitão de Barros e das primeiras sessões de cinema em Portugal, viaja para norte para fazer, no Rivoli, a abertura do Porto/Post/Doc.

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