Exposição de Cruzeiro Seixas encerra comemorações do centenário do artista em Lisboa

As comemorações do centenário do nascimento de Cruzeiro Seixas (1920-2020) encerram a 3 de Dezembro, com a maior exposição do artista, reunindo 160 obras na Sociedade Nacional de Belas Artes.

Entre objectos, esculturas, desenhos à pena e pinturas, a amostra intitulada “O Sentido do Encontro” reúne 160 obras de Cruzeiros Seixas e vai ser apresentada pela Fundação Cupertino de Miranda, juntamente com o Ministério da Cultura, em parceria com a Sociedade Nacional de Belas Artes.

No total, serão sete as entidades que se juntam para manter viva a obra e memória do artista português: a iniciativa envolve igualmente a Biblioteca Nacional de Portugal, o Centro Português de Serigrafia, o Centro de Arte Moderna - Museu Calouste Gulbenkian, e o Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, de onde provêm as peças de Cruzeiro Seixas.

Artur Manuel do Cruzeiro Seixas morreu em 2020, apenas 25 dias antes de completar o centenário do seu nascimento. Esta exposição, que apresenta algumas das mais importantes obras do artista, acede às diferentes técnicas desenvolvidas pelos surrealistas, especialmente o cadavre-exquis, inventado pelos surrealistas franceses em 1925, à qual os surrealistas portugueses deram continuidade, quer na expressão plástica, quer na literária.

Esta técnica artística colectiva - em que os diversos artistas tinham que dar continuidade ao desenho começado pelos anteriores - afirmava-se como um “acto de liberdade” para os surrealistas, e baseava-se também no automatismo e no subconsciente, cujo resultado seria fruto do acaso para a construção de uma imagem ou de um poema visual sem o controlo da razão.

A mostra que encerra o centenário irá ainda destacar o seu percurso por África, com pequenas esculturas etnográficas, e obras realizadas no período em que esteve naquele continente. Inclui também os seus “Diários Não Diários”, um registo de memórias, projectos e ideias, recorrendo essencialmente à colagem com fragmentos de vivências, criando um espaço de pensamento com simples alusões diárias do que se passava no seu universo pessoal e profissional.

Na mesma ocasião será exibido o filme de Cláudia Rita Oliveira - “As Cartas do Rei Artur” - dedicado ao artista, que tem sido alvo de homenagens, nomeadamente na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), em Paris, em Maio deste ano, com a mostra “Cruzeiro Seixas - Teima em ser poesia”, organizada pela Fundação Cupertino de Miranda.

O artista doou, em 1999, o seu acervo artístico à Fundação Cupertino de Miranda, em Vila Nova de Famalicão, que tem vindo a salvaguardar, exibir e publicar a obra deste nome fundamental do surrealismo em Portugal, autor de um vasto trabalho no campo do desenho e pintura, assim como em objectos/escultura, além da literatura, com uma extensa obra poética.

Cruzeiro Seixas teve um longo percurso artístico, começando por uma fase expressionista, outra neo-realista e outra, com início no final dos anos 1940, mais prolongada, no movimento surrealista português, ao lado de Mário Cesariny, Carlos Calvet, António Maria Lisboa, Pedro Oom e Mário-Henrique Leiria.

Foi esse movimento artístico surgido no início do século XX, e que viria a revolucionar a arte, que provocou nele uma acesa paixão criadora que manteria até ao fim da vida. Em 2020 foi lançado o segundo volume da sua “Obra Poética”, com chancela da Porto Editora, organizada por Isabel Meyrelles, outro nome essencial do surrealismo português, bem como a obra “Eu Falo em Chamas”, pela Fundação Cupertino de Miranda.

Em Outubro desse ano, ainda em vida, Cruzeiro Seixas, nascido a 3 de Dezembro de 1920, na Amadora, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural, pelo contributo para a cultura portuguesa.

A exposição “O Sentido do Encontro” é inaugurada no dia do seu nascimento, às 18h00, na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, onde ficará patente até 26 de Fevereiro de 2022.

Ler mais
PUB