Espólio documental de Helena Almeida doado à Gulbenkian

Os cerca de 9 mil registos que compõem o espólio vão ser integrados no acervo da Biblioteca de Arte, fornecendo novos dados sobre o processo de trabalho de uma das mais importantes artistas nacionais das últimas décadas.



O espólio documental de Helena Almeida (1934-2018), que inclui 8.900 registos fotográficos, esclarecedores do processo de trabalho de uma das mais relevantes artistas nacionais, foi doado à Fundação Calouste Gulbenkian, anunciou esta terça-feira a instituição.

A doação concretizou-se por vontade da família da artista, que conta com um dos percursos artísticos mais relevantes da segunda metade do século XX, em Portugal, estando amplamente representada na coleção do Centro de Arte Moderna da Gulbenkian.

O espólio é constituído por um conjunto diversificado de documentação, que inclui correspondência com várias entidades, instituições e galeristas, processos de venda de obras de arte e ainda processos relativos a exposições, por vezes com as plantas das salas e imagens que documentam a instalação das obras.

Das cerca de 8.900 espécies fotográficas que compõem este acervo, mais de 6.000 reproduzem obras de arte, permitindo uma melhor clarificação do processo de trabalho realizado pela artista entre 1967 e 2018.

O acervo abrange ainda recortes de imprensa, críticas, e um conjunto de títulos, entre catálogos da década de 1970 e um núcleo de obras de História da arte e estética (do final dos anos 1950 até aos anos 70) com marca de pertença da artista e do marido, o arquiteto e escultor, Artur Rosa.

“Este espólio permitirá não só uma melhor compreensão da prática artística de Helena Almeida, como também ajudará a contextualizar o panorama artístico nacional”, sublinhou a instituição no comunicado, acrescentando esperar que o conjunto lance “uma nova luz sobre o processo de trabalho de uma das mais brilhantes artistas nacionais”.

Ao juntar-se este espólio ao acervo da instituição, onde consta também o Arquivo Alberto Carneiro e os espólios de Fernando Calhau, David de Almeida e Jorge Vieira, a Gulbenkian reafirma o papel da sua biblioteca como local de “referência para o estudo e a compreensão da produção artística nacional entre a segunda metade do século XX e primeiras décadas do presente século”.

À medida que for sendo inventariado, o espólio será progressivamente disponibilizado, servindo de apoio à investigação das 16 obras da artista que integram a Coleção do CAM e ao estudo de investigadores, curadores e críticos, quer nacionais quer estrangeiros.

Nascida em Lisboa, em 1934, Helena Almeida criou, a partir dos anos 1960, uma obra multifacetada, dando origem a uma obra que se destacou pela autorrepresentação, refletindo sobre as relações de tensão entre o corpo, o espaço e a obra.

A artista que recorreu ao seu corpo como suporte e objeto de criação, utilizando a pintura, a fotografia, a gravura, a instalação e o vídeo, começou a expor individualmente em 1967, na Galeria Buchholz.

Representou ainda Portugal na Bienal de Veneza por duas ocasiões: em 1982 e em 2005, e em 2004 participou na Bienal de Sidney, tendo a sua obra sido exibida no âmbito de mostras individuais e coletivas em museus e galerias nacionais e internacionais.

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