Diogo Valsassina: “Tenho um lugar ao sol? Não, não tenho”

Diogo Valsassina, de 35 anos, é um actor que nos entra pela casa dentro há mais de duas décadas. Tem uma paixão pela música (pesada), revela que o “Curto Circuito”, programa que apresentou em tempos idos, lhe deu muito gozo e confessa que hoje é uma pessoa diferente, mais preparada. Um tempo alargado sem trabalhar, “que aconteceu porque tinha de acontecer”, transformou-se numa boa aprendizagem. Companheiro da também actriz Ana Guiomar, está agora em cena no Teatro Maria Matos com a peça “Quiz”.



Vamos começar pela música. Ainda tem a banda de rock Shima?

Neste momento estamos parados porque o meu guitarrista teve de parar durante um tempo para tratar de si. Mas queremos voltar, obviamente. Mesmo não tocando na banda, todos os dias toco guitarra ou baixo. Isso acontece sempre.

É uma paixão tão grande como a representação? Porque toca desde sempre...

É uma paixão tão grande como a representação, acho que, às vezes, até é maior. Mas não tem a ver com a banda em si, tem a ver com a música. A música é uma coisa muito importante para mim. Não há um dia que eu passe sem ouvir música ou sem tocar. E é assim desde que me lembro. Há aquelas perguntas muito tontas que às vezes fazem: “Preferia ser um actor de Hollywood ou uma rockstar?” E eu, às vezes, fico na dúvida e muitas vezes pendo para o lado da rockstar.

Nunca pensou em dedicar-se inteiramente à música?

Não, vivo em Portugal.

Só por isso?

Sim, porque eu, felizmente, ao longo dos anos, fui aprendendo a ser um bocadinho mais abrangente no meu gosto musical. E cada vez ouço mais coisas, e mais coisas diferentes. Não sou daqueles que dizem que gostam de tudo... Não gosto de tudo.

A sua preferência é o heavy metal.

Sim, gosto de música mais pesada. E, depois, a música que eu acho que é mais calma também não é propriamente aquilo que nós podemos chamar comercial. Não sou daquelas pessoas que pegam na guitarra e que pensam que vão fazer uma música que seja orelhuda e fique no ouvido. Não, vou fazer uma música de que gosto e, se as pessoas gostarem, ainda bem. Mas não vou fazer uma coisa só para as pessoas gostarem. Isso nunca me passou pela cabeça, nem pouco mais ou menos.

Deixar de tocar não está nos seus planos a longo prazo.

Não, não. Nem pensar. Ainda hoje recebi um baixo que mandei fazer. Não é uma coisa que me passe pela cabeça.

A música, tal como a representação, começou muito pela influência da sua avó. Era basicamente a sua avó que acreditava muito em si?

A minha avó é a culpada. Todos acreditavam em mim, mas a minha avó é que tinha uma disponibilidade um bocadinho diferente. A música em si começa porque os meus pais sempre ouviram música. Eu, em miúdo, o que mais gostava era de Tina Turner, Supertramp, Queen e Bryan Adams, coisas que os meus pais ouviam. Portanto, eu adorava ouvir essas bandas. E, depois, a minha avó comprou-me um CD de uma banda de punk rock. Só que ela comprou porque tinha um gato na capa e o gato era igual ao dela. Foi aí que despertou o meu lado para a música mais pesada, por causa da minha avó. E a representação, a mesma coisa, porque eu desde pequeno que brincava com ela aos teatros e ela sempre adorou o Herman, os programas do Herman, os sketches do Herman, e eu via muita televisão com ela e repetia e brincava com ela. O cinema sempre foi uma coisa que eu adorei. Antigamente, os filmes passavam no cinema e, passadas três semanas, estavam na televisão. E a minha tia gravava tudo em cassetes VHS. E eu, quando ia lá a casa, abria o armário e trazia uma data de filmes. Quando era miúdo, quando tinha oito anos, os meus filmes preferidos eram “O Predador” e “O Exterminador Implacável”. Eram outros tempos. Acabei por ser influenciado por várias coisas e por várias pessoas, mas a minha avó foi o catalisador.

O Herman José foi o seu grande ídolo em termos de representação, de espectáculo?

Não acho que tenha sido o meu grande ídolo. Mas foi um despertar daquilo que eu achava engraçado, do que era a comédia. Porque ele fazia coisas muito diferentes... os sketches da Expo com o Miguel Guilherme enfiado numa catacumba, no Porto. Eu achava muita graça a essas coisas todas e acho que foi o que me fez perceber o que era a comédia e aquilo a que eu achava graça. O meu grande ídolo, quando eu era pequeno, era o Arnold Schwarzenegger, portanto... [risos] Não tem muita coisa a ver com a outra mas, para muita gente da minha geração, o Herman José foi, sem dúvida nenhuma, uma grande influência, era inevitável.

Presumo que já se conheçam.

Conheci-o há muitos anos, ainda estava ele na SIC, e depois acabei por ir ao “Cá Por Casa” quando fui promover a “Avenida Q” e em várias situações.

E chegou a dizer-lhe que ele foi uma espécie de influência para si?

Acho que sim. Não me lembro, especificamente, se o disse dessa forma mas, para a malta da minha geração, acho que nem é preciso dizer. Ele sabe que, de uma forma ou outra, influenciou muitas pessoas.

Aos 11 anos começou na telenovela da TVI “Jardins Proibidos”. Como é que a sua vida mudou ao ser uma figura mediática? Por exemplo, como reagiam os seus colegas na escola?

Isso foi uma coisa muito natural, muito normal. Os meus colegas de turma achavam graça, mas eu continuava a ser o “Valsa”, o amigo deles. Eu vivia na Portela, um bairro pequeno, e o que acontecia é que as pessoas faziam-me perguntas. Em 2000 não havia a acessibilidade que há hoje em dia, não se sabia como é que as coisas se faziam. Havia era muitas perguntas: “Como é que é aquele actor?”, “Como é que é aquela actriz?”, “Como é que se faz isto?” Havia essa curiosidade, mas não me tratavam de forma diferente. Nem eu queria que me tratassem de forma diferente. Nunca fui assim. Era só mais engraçado ter malta do 12.º ano a falar com um puto do 7.º ano porque tinham curiosidade em saber coisas.

Então, nada mudou na sua vida?

Não. Eu tinha o apoio dos meus pais e da minha escola, e também da produção, na altura, porque só gravava três vezes por semana. Os professores sabiam que eu estava a fazer isso, tinham essa compreensão de me tentar ajudar quando sentiam que eu podia estar a ficar atrás em alguma coisa na escola, mas em nada me foi facilitada a vida em termos de notas. Continuei a ter de estudar e a ter de me esforçar. A única coisa que mudou foi que eu andava a brincar à representação, que era uma coisa de que gostava.

Ao contrário dos seus colegas, quando esteve nos “Morangos com Açúcar” já tinha alguma espécie de traquejo? Sentiu essa diferença?

A diferença maior que senti não teve a ver com representação, tinha a ver mais com questões técnicas de saber como estar no plateau, de saber o que é a câmara 1, 2 e 3 e saber como me posicionar. Nesse tipo de coisas, já tinha alguma noção porque já tinha trabalhado noutras produções - ler uma folha de serviço, porque, às vezes, as pessoas, no início, não sabem muito bem como se lê uma folha de serviço, porque aquilo pode parecer uma coisa muito complicada mas, na verdade, não é. Tem mais só a ver com isso. Não tinha a ver com sentir-me mais preparado a nível de representação do que eles. Era mais uma questão técnica do que outra coisa qualquer.

Depois dos “Morangos” esteve alguns anos sem trabalhar em representação.

A seguir aos “Morangos” fiz uma novela, a “Ilha dos Amores”. E depois da “Ilha dos Amores” fui para a SIC e fui fazer o “Curto Circuito”. E nesse espaço da “Ilha dos Amores” e do “Curto Circuito” é que estive um bom tempo sem trabalhar.

Mas foi opção sua?

Não, não foi de todo opção minha. Foi uma coisa que aconteceu.

E chegou a perceber porque é que isso aconteceu, esse período mais alargado sem fazer representação?

Hoje em dia é muito fácil falar. Mas eu acho que aconteceu porque tinha de acontecer, porque as pessoas precisavam de perceber que eu fazia sentido em algumas coisas e eu também precisava de perceber que, se calhar, não podia continuar a ser um puto de 18 anos no trabalho. Negligente é uma palavra muito forte porque nunca fui negligente... mas não dar tanta atenção, não prestar tanta atenção e dar as coisas como garantidas como, se calhar, dei quando era mais novo. Portanto, acho que isso tudo acabou por fazer sentido e por me ajudar a transformar na pessoa e no profissional que sou hoje em dia. Na altura foi muito complicado, foi muito difícil, mas hoje, olhando para trás, penso que foi uma boa aprendizagem, porque estive sem trabalhar em representação mas fui fazendo outras coisas.

Esteve na Fremantle, a produtora.

Exactamente. Fiz produção na Fremantle, trabalhei no “Ídolos” e no “Got Talent”, e foram experiências muito ricas.

Lá está, a música.

A música, sempre envolvida. Mas foram experiências muito boas, muito difíceis, porque é muito difícil fazer aqueles programas, principalmente nas fases de casting. Mas, depois, as coisas acabaram por correr bem, felizmente.

Quando apresentava o “Curto Circuito” parecia que tinha muito gozo em apresentar o programa.

Dava muito gozo, dava.

Nunca pensou em seguir a apresentação tendo em conta o gozo que aquilo lhe dava?

Sim, sim. Passou-me pela cabeça na altura e agora, mais recentemente, também passou. O “Curto Circuito” e o “Cabaret da Coxa”, que toda a malta da minha geração via à quinta-feira e, depois, à sexta-feira de manhã, a primeira coisa que falava era o que acontecia no “Cabaret da Coxa” à quinta à noite. E o “Curto Circuito” era uma coisa que nós víamos e, como andava sempre com uma câmara, gravava com amigos meus a nossa espécie de “Curto Circuito”. Portanto, obviamente, quando fui convidado para participar e para ser apresentador, isso deu-me um gozo tremendo porque pude experimentar uma outra parte de mim. Mas nunca pensei a sério na questão de ser apresentador porque o “Curto Circuito” também nos estraga, porque eu tinha uma liberdade que nunca mais vou ter em mais programa nenhum.

E era essa liberdade que se traduzia no gozo de apresentar o programa?

Era esse o gozo que eu tinha. Às vezes, até dizia coisas que não devia, mas pronto. Mas eu queria fazer e dizer quase tudo o que me apetecia. Se, por acaso, acontecia, como aconteceu, não ter nenhum convidado... no estúdio ao lado estavam a gravar o programa da tarde da SIC e nós íamos a correr em directo e, de repente, estávamos com o Marco Paulo no programa. Ou com a Ágata. Fazer um programa, claro que sim, era um desafio hoje em dia porque apresentar um “Ídolos” ou uma coisa desse género, claro que era um desafio, mas... [faz uma pausa] é diferente. Aquela liberdade que existia no “Curto Circuito” não existe neste tipo de programas. O desafio existe porque são, efectivamente, coisas diferentes, mas a liberdade é uma coisa que só o “Curto Circuito” tem. Até hoje, em Portugal, mais nenhum programa teve essa liberdade. E o “Curto Circuito” é uma coisa especial precisamente por causa disso. Ainda fico um bocado naquela de, por um lado, gostava, mas por outro tenho um bocado de receio. Como será que me vou comportar num ambiente em que as coisas são - e ainda bem - mais controladas, porque apresentando um programa de prime time, de domingo à noite, sabemos que temos de seguir várias regras? O meu receio é mais comigo, de como é que me iria dar e comportar num ambiente desses.

Em 2016 regressa, sem mais hiatos, à televisão, com “Amor Maior”. Sente que conquistou um lugar ao sol na representação?

Não, claro que não. Acho que a partir do momento em que sentir isso estou a ser parvo e peço a alguém que me conheça muito bem para me dar uma cacetada. Obviamente, sinto-me muito mais confortável do que me sentia há uns anos, porque sei o que valho, o que posso dar a um canal, a uma produção ou seja ao que for, e tenho outra facilidade em conseguir chegar às pessoas, que era uma coisa que eu, na altura, não tinha. Agora, se eu tenho um lugar ao sol? Não, não tenho.

E tem mais maturidade para não ser - e a expressão é sua - negligente com algumas coisas?

Claro que sim. Hoje em dia preparo-me de uma forma totalmente diferente. Penso nas coisas de uma forma totalmente diferente. Preocupo-me - acho que esta palavra é muito importante. Preocupo-me de uma forma que não me preocupava na altura e acho que isso tem tudo a ver com a idade, com algumas facilidades que nós, que fizemos os “Morangos”, fomos tendo durante essa altura específica. Lugar ao sol, não tenho. Acho que tenho um lugar mais tranquilo em que as pessoas dos canais ou das produtoras já me conhecem e já sabem o que eu posso trazer. As pessoas associam-me sempre mais a alguma coisa de comédia.

Acha que foi prejudicado por esse boneco que criou?

Não acho que tenha sido prejudicado. E não lhe chamo boneco, mas sim essa facilidade com a comédia e com o lado mais cómico, seja de novelas ou do teatro. Foi isso que me fez chegar onde estou agora. E obviamente que há personagens que fiz em novelas que são mais cómicas, mas todas elas tinham um lado muito sério, mais adulto, que era uma coisa que, provavelmente, antigamente não teriam. Isso também parte de mim, não parte só da escrita e não parte só das pessoas que apostam em nós. Parte de nós também fazer isso.

Tem feito mais televisão do que teatro, mas actualmente está em cena com o “Quiz” no Teatro Maria Matos. Estamos a falar de uma peça que retrata um caso que deu muito que falar no Reino Unido. Conte-nos um bocadinho sobre a peça e como tem sido a adesão do público.

A peça é uma história real sobre três pessoas, uma mais implicada. Isto aconteceu em 2001 e foram três pessoas que tentaram defraudar o programa “Quem Quer Ser Milionário” e ganhar o prémio máximo de um milhão de libras, e depois foram julgados e considerados culpados. Este espectáculo debruça-se mais sobre a forma como, supostamente, a batota foi feita. Isto é tudo muito dúbio e estranho. Parece, de alguma forma, que existiu alguma manipulação por parte da produção do programa. E a peça debruça-se sobre isso, sobre quão fácil é manipular o público e a atenção dos média. Nós, na peça, temos dois momentos em que o público é chamado a intervir e a votar. No final do primeiro acto decide-se se os arguidos são culpados ou inocentes, e no final da peça a mesma coisa. E, normalmente, a votação, cuja percentagem surge no ecrã, nunca é igual. Nós, na peça, fazemos essa manipulação e as pessoas reagem de forma diferente. E o autor da peça quis mesmo debruçar-se sobre isso, sobre o quão fácil é manipular as pessoas. E a adesão do público tem sido boa, interessante, porque não é uma história que tenha sido cá muito falada. Foi em 2001, muito pouco tempo depois do 11 de Setembro, e a atenção prendeu-se com outra situação, como é mais que óbvio. Mas a adesão tem sido gira, as pessoas têm gostado e têm saído de lá a falar sobre essa manipulação.

O que sente num palco de um teatro e não sente atrás de uma câmara no plateau?

O que é que eu sinto? Acho que há uma adrenalina adjacente sempre que se sobe ao palco. Essa pica com que se sobe ao palco, isso existe e é um bocadinho diferente daquela de estar na televisão. Na televisão é tudo muito mais imediato, muito mais rápido. Nós gravamos num dia 20 cenas e no dia seguinte vamos ter mais 20 cenas. Portanto, as coisas são feitas de uma forma muito mais rápida e é preciso uma rapidez em televisão que no teatro não é, porque temos dois meses em que podemos estar a preparar a personagem, o texto, como vamos gerir cada movimento. E depois repetimos, repetimos e repetimos até nos sentirmos minimamente confortáveis. Na televisão é tudo muito mais rápido, de compreensão rápida e de reacção rápida. Há muita gente que acha que fazer televisão é fácil, e fazer televisão não é nada fácil. Há muitos actores de teatro que nunca tinham feito televisão e, quando foram fazer televisão, perceberam a dificuldade. Não é mesmo fácil. Pode parecer, mas não é. Mas acho que a grande diferença é a rapidez que se tem de ter na televisão. É muito diferente a rapidez que tem de se ter no teatro.

Há pouco falei-lhe do gozo que lhe deu apresentar o “Curto Circuito”. Agora pergunto-lhe: o que lhe dá mais prazer, fazer televisão, teatro ou cinema?

Muito honestamente, acho que depende. Dá-me muito prazer fazer televisão, não sou daqueles actores que dizem que não gostam de novelas. Dá-me muito gozo fazer novela porque, quando nós estamos no estúdio e estamos lá o dia inteiro com os nossos colegas e com a equipa, quando as coisas correm bem, eu não sei bem o que acontece, mas há ali uma sinergia qualquer que é muito interessante, que é muito gira de se ver. Isso aconteceu-me muitas vezes quando estava a fazer a “Terra Brava” com a Sara. E, quando isso acontece, é incrível. E no teatro também tem muito a ver com a peça em si. Por exemplo, adorei fazer a “Avenida Q”, é uma coisa que vou guardar para o resto da minha vida. E sei que os meus colegas também, porque foi uma peça muito especial para nós. Acho que depende um bocado do desafio, tanto de um lado como do outro. Não há uma coisa que eu diga “gosto mais disto ou gosto mais daquilo”. Gosto das duas coisas de uma forma igual, mas diferente, se é que isto faz algum sentido.

Terminou a sua participação na novela “Amor, Amor”. Que tipo de projectos tem para o futuro, tirando a peça de teatro que está a fazer?

Hei-de começar um projecto novo.

Televisão, cinema, teatro...?

Televisão.

Tem uma relação de muitos anos com outra actriz, a Ana Guiomar. Qual é a grande vantagem de partilhar uma vida com uma pessoa da mesma área profissional?

A grande vantagem é a compreensão. Ela sabe e eu sei porque é que, às vezes, chegamos a casa e não conseguimos fazer nada. Não queremos fazer o jantar ou não nos apetece falar, ou porque estamos tão cansados. Isso, às vezes, é muito complicado de explicar a pessoas que não trabalham neste meio, porque acham que é uma coisa muito simples. Estar das 8h00 às 20h00 num estúdio e fazer 30 cenas por dia não é simples e não nos deixa leves ao fim do dia. E, depois, também depende das personagens, das cenas que vamos gravar. Acima de tudo, penso que a grande vantagem é a compreensão, é perceber o que o outro está a passar quando faz uma novela e teatro ao mesmo tempo, como já aconteceu tanto comigo como com ela. Às vezes estamos de rastos, mas é mesmo assim: quem corre por gosto não cansa. E quando a outra pessoa sabe o que é ter esse gosto torna-se tudo muito mais fácil.

Imagino que para uma pessoa que seja mediática já seja um problema fazer a vida normal, passear. Com duas, e que ainda por cima formam um casal, deve ser pior. Vocês conseguem passear como qualquer casal normal, fazer um fim-de-semana em Portugal?

Claro que conseguimos e claro que fazemos. As pessoas podem ou não reconhecer-nos mas, isso, sabemos que é uma coisa que vem com a nossa profissão. Mas tanto eu como a Guiomar - e nós fazemos muitas coisas sozinhos -, quando estamos sozinhos, não nos reconhecem tanto. Parece que quando estamos em casal há uma seta apontada a dizer “estão aqui”. Mas nós não deixamos de fazer as coisas só por causa disso, senão dávamos em maluquinhos. A Guiomar está com muita exposição, a fazer o “Festa é Festa”, é muito acarinhada. Parece que é o fenómeno “Morangos” outra vez. Ela, agora, leva muito mais com isso, mas é uma coisa boa, sinal de que gostam do trabalho que estamos a fazer e que gostam de nós. Enquanto isso acontecer, é bom sinal. No dia em que isso não acontecer quer dizer que estamos a fazer qualquer coisa mal.

Tem uma paixão claramente assumida, o Sporting. Gostava de um dia se candidatar a presidente do Sporting?

Nunca na vida. Nem pensar. Gosto demasiado do Sporting para me candidatar a presidente. [risos]

Foi uma ideia que nunca lhe passou pela cabeça?

Não. Nunca, nunca. Não porque, depois, pode acontecer uma coisa que eu não quero, que é o desencanto. E já para não falar no trabalho que deve ser. E eu não quero isso. Tenho outras preocupações.

Tem um cão, o Bart, que participou numa campanha de publicidade da Vodafone. Como surgiu a ideia de ele entrar na campanha?

Na primeira campanha, ele não devia entrar. Houve um dia em que ele teve de ir connosco para o décor e, quando nós chegámos lá, toda a gente achou muita graça ao cãozinho e disseram: “Deixem-no andar aí.” Como nós estávamos a gravar em casa de pessoas, os tripés das câmaras, das luzes, para não riscarem o chão, têm bolas de ténis, e o Bart tem um grande problema com bolas de ténis, ama-as de paixão. De repente, estava a arrastar um projector com a boca e os senhores da Vodafone acharam muita graça e disseram-nos para o deixarmos. Então, nós estávamos a fazer o texto e ele andava aos pulos e a aparecer. E a partir daí, de uma coisa muito parva, que a Guiomar estava a dizer um texto e eu peguei nele e cantei uma música do “Eu sou um cão que aparece na televisão”, aquilo teve um sucesso muito grande e, na campanha seguinte, escreveram uma campanha só para o Bart. Eu ia a passar pelo Estádio da Luz e ia tendo um acidente, pois não sabia que aquilo ia acontecer. De repente vejo um cartaz gigante do meu cão. Foi algo muito natural. Ele apareceu porque é uma estrela.

Como se vê daqui a dez anos?

Espero continuar a fazer aquilo de que gosto, continuar a ter a minha vida organizada, a ter a minha família bem, a ter os meus amigos bem, a estar bem. Infelizmente, daqui a dez anos, por muito que eu quisesse, já não vou ter o meu Bartzinho. Nunca pensei em megalomanias. Claro que quero mais para a minha vida, mas isso é uma coisa que se vai conquistando. Mas vivo muito bem e muito tranquilamente com aquilo que tenho.

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