Cuca Roseta: “As mulheres livres ainda incomodam muita gente”

“Vive e deixa viver” podia ser o seu lema. Cuca Roseta deixa por onde passa uma aura de calma e tranquilidade. Para todos tem um sorriso, uma graça, alguns minutos de atenção. O seu mais recente álbum, “Meu”, é composto na totalidade por poemas e músicas da sua autoria. Noutro plano, está já nas livrarias o seu livro “O Teu Fado é Ser Feliz”, com a chancela da Albatroz, que se debruça sobre o universo do bem-estar físico e emocional. O retrato de uma mulher livre e inspiradora.



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Engane-se quem pensar que esta mulher bonita é frágil. Licenciada em Psicologia, adepta de um estilo de vida saudável, Cuca Roseta não prescinde da prática diária de ioga e meditação. O seu mais recente projecto é precisamente um livro no qual nos ensina como podemos trilhar o caminho do autoconhecimento e da espiritualidade, convidando quem o lê a ir ao encontro do bem e do bem-estar.

Quando era criança, Isabel, o verdadeiro nome de Cuca, não ouvia fado em casa. O que os seus pais tocavam no gira-discos era um reportório mais erudito. Aos 18 anos foi a uma casa de fados e cantou. Carlos Zel ouviu e gostou. Mas Cuca iniciar-se-ia no mundo da música com os Toranja, de Tiago Bettencourt. Inscreve-se depois num concurso de fados no Porto e começa a cantar mais a sério, nomeadamente, no Clube do Fado. Surge “Cuca Roseta”, o álbum de estreia, que incluiu clássicos como “Rua do Capelão”, “Ave Maria Fadista” ou “Marcha de Santo António”. O sucesso foi imediato: disco de ouro, destaque na imprensa nacional e internacional e concertos um pouco por todo o mundo.

Em 2015 convida Nelson Motta, produtor brasileiro, para produzir o seu novo álbum, “Riû”, no qual, além dos seus próprios temas, surgem parcerias com Bryan Adams, Djavan, Jorge Drexler e Pedro Jóia. Era a junção de variados universos musicais que resultaria em mais de 120 concertos na tour com o nome do álbum, com o final apoteótico nos coliseus de Lisboa e Porto. Em 2017 surge o álbum “Luz”, um álbum intimista que conta com compositores como Pedro da Silva Martins, Carolina Deslandes, Jorge Fernando, Mário Pacheco e outros.

No ano seguinte lança um álbum com canções clássicas de Natal. Faz três concertos em três igrejas de Lisboa, Porto e Coimbra, com as receitas a reverterem para instituições de solidariedade.

No ano do centenário do nascimento da voz maior do fado gravou um álbum de tributo a Amália. Foi em 2020, em plena pandemia, e que, por esse motivo, não teve a dimensão e a divulgação que um projecto como este merecia. O disco “Meu”, com poemas e músicas da sua autoria, e o seu livro “O Teu Fado é Ser Feliz” são os seus mais recentes projectos. O livro inclui 57 cartas inspiradoras. O leitor pode escolher uma carta e receber “a mensagem especial que o Universo tiver para si nesse dia”.

Cuca acredita que a gratidão e a aceitação são a chave para uma vida plena e feliz, apesar das adversidades. “Quando silenciamos a mente e deixamos a verdade e a voz do nosso instinto vir ao de cima, atingimos um estado de espírito de certeza, e a força do amor faz-nos crer que tudo está a acontecer exactamente como tem de acontecer. Ao encontrarmos o equilíbrio espiritual, voltamos ao nosso centro e seguimos sem medos pelo caminho, enfrentando os desafios que a vida nos apresenta. Confio que há um sentido maior para tudo o que vivemos”, diz.

Neste livro, a cantora partilha práticas do seu dia-a-dia, como técnicas de respiração e posturas de ioga; óleos essenciais, mantras e iantras que usa; fados e poemas que declama; meditações guiadas por si, pela sua irmã Inês Roseta e por Rute Caldeira.

Nestas páginas traça-se o retrato de uma mulher que se assume plena e livre, para quem o amor é tudo, num conceito lato que ultrapassa o terreno.

Como correu o seu concerto nas Festas do Mar, há uma semana, em Cascais?

Foi espectacular! Foi mesmo incrível! Cresci aqui, em Cascais, a vida inteira, e estar na nossa terra traz-nos boas memórias. Foi bom porque a energia das pessoas estava em alta, o concerto estava cheio, foi mesmo muito especial.

Como tem sido o balanço de “Meu”, o seu último álbum?

Foi lançado durante a pandemia. Por isso, inicialmente não pudemos ter o gosto de andar pelo país para tocar as músicas, mas está a correr muito bem. Em todos os meus discos tinha sempre um tema meu. Não era habitual no fado as pessoas comporem e escreverem as suas músicas, mas eu já fazia isso desde nova. Portanto, inicialmente, as pessoas estranharam, mas acabaram por aceitar. Inclusive o meu público queria muito, pediam-me “faz mais músicas, faz um disco só teu”, e este disco é o meu sétimo. “Cuca Roseta”, “Raiz”, “Macário”, “Riû”, “Luz”, “Amália” e, agora, “Meu”.

Em “Meu”, todos os poemas e as músicas são da sua autoria. É um álbum especial para si?

É um álbum muito especial. Desde nova que acho que a palavra que define o fado é verdade, porque nós declamamos poesia, e não podemos declamar ou cantar poesia que não nos emocione. Portanto, tem de ser uma experiência de vida nossa. E este “Meu” é especial porque é mais verdade. A partir do momento em que alguém compõe a sua própria música, imbuída das suas origens e referências, e também conta a sua própria história acaba por ter um resultado mais genuíno e por conseguir emocionar mais quem ouve.

É também o efeito de uma certa maturidade, o resultado do que foi aprendendo e, se calhar, também do que se foi alterando em si ao longo dos anos?

Sim, sem dúvida. Acho que não conseguiria fazer um disco como o “Meu” quando fiz o meu primeiro álbum. Nem pensar. Sem dúvida que engloba muita experiência, não só de vida, mas também na escolha dos reportórios, dos músicos, do melhor microfone, do melhor estúdio, tudo isso junto. Ao longo da vida, vamos percebendo o que encaixa melhor para conseguirmos encontrar essa verdade.

Acaba de lançar um livro, “O Teu Fado é Ser Feliz”. Como surgiu a ideia de o escrever?

Sempre escrevi. E embora escrevesse poesia, que depois se encaixava em música, escrevia muito mais em prosa. Então, é algo que desde sempre quis fazer e ficou-me sempre esse desejo. Comecei a escrever um romance, mas depois achei que não era por aí e, então, a Porto Editora, ao ver as minhas redes sociais, percebeu que havia uma ligação à espiritualidade e propôs-me fazer este livro, que é, no fundo, o mundo da Cuca, mas como autora, como alguém que tem uma mensagem positiva para passar. Daí o título “O Teu Fado é Ser Feliz” (com a chancela Albatroz). Porque através de técnicas de respiração, meditações, mantras, iantras, posturas de ioga, óleos essenciais, poemas, músicas, há uma mensagem espiritual muito forte e que também é muito boa nesta fase porque, com a pandemia, mais pessoas foram à procura da espiritualidade. Quando se viram presas nas suas casas e a questionar o sentido da vida, começaram a fazê-lo. São pequenas ferramentas para ajudar a que o nosso fado, enquanto destino, se torne mais feliz. Os nossos desafios, as nossas tristezas podem ser benignas. Por falar em maturidade: as pessoas, à medida que vão amadurecendo, vão passando por desafios e passam a encarar o sofrimento de uma forma diferente.

No sentido em que o sofrimento pode ser evolutivo, como aprendizagem...

São saltos quânticos. Muito mais do que a alegria. É um facto. Se não tivéssemos, o escuro não nos erguíamos até à luz. Precisamos dos opostos para valorizar os aspectos bons. É o yin e yang da vida e sem dúvida alguma que por muito que seja difícil passar por várias dores e perdas, que é algo por que também já passei, depois, mais tarde, entende-se qual foi o sentido dessa passagem e dessa aprendizagem.

A sua formação em psicologia foi útil para escrever este livro? Serve também para entender o público, para o sentir quando está a cantar?

Acho que sim. O saber não ocupa lugar e acho que nada acontece por acaso. Estudei psicologia durante muitos anos e é uma área de que gosto muito, mas já existia em mim esta paixão pelo comportamento humano. Sempre gostei de dar conselhos, era sempre a conselheira das amigas, sempre observei os outros, sempre me preocupei muito com as emoções, e isto tudo está relacionado também com o facto de a cura, ou a ajuda, acabar por ser através da vibração da voz, da música, da mensagem. Mas sem dúvida que praticamos muita psicologia nesta profissão porque recebemos muito feedback do público. As pessoas contam-nos a sua vida, mandam-nos mensagens privadas...

Pratica ioga e medita. Com que frequência?

Ioga, faço há nove anos. Todas as manhãs faço uma hora e meia de prática de ioga. Onde estiver. Sozinha ou quando estou em Cascais, numa escola. E depois faço meia hora de meditação. Se puder, faço mais tempo, mas o mínimo são 30 minutos de meditação.

Isso é complementado com alguma alimentação especial?

É interessante, porque essa simbiose é algo natural. Quando começamos a fazer ioga, alteramos a nossa alimentação de forma espontânea. Sempre adorei carne e, quando comecei a fazer ioga, o meu corpo começou a rejeitá-la. Sempre adorei croquetes e agora fico a babar porque tenho ainda a memória de gostar muito, mas depois, quando sinto o cheiro da carne, já não me apetece. A alimentação saudável vem a par e a medicina aiurvédica e o ioga estão interligados. Uma pessoa não faz ioga sem fazer medicina aiurvédica, e o inverso também é válido. A medicina aiurvédica fala sobre a que horas devemos deitar-nos e o que devemos comer, e como devemos tratar o nosso corpo. E o próprio ioga faz com que comecemos a rejeitar, através do cheiro, os alimentos que não são saudáveis.

Como podem as pessoas iniciar-se na prática da meditação?

No meu livro falo sobre isso. O meu livro também pode ser para avançados, nalgumas partes relativas às posturas de ioga, mas, maioritariamente, é para iniciantes. Eu, quando comecei, tinha muita dificuldade em meditar e comecei a fazê-lo com versões guiadas. Ia ao YouTube e não gostava das vozes, e distraía-me. E depois encontrei uma professora de meditação, e também através da minha irmã Inês [Roseta], porque ela também é professora de ioga e faz meditação. E adoro a voz dela. Além dela, a Rute Caldeira e a Inês Gaya são muito boas. É mais fácil a meditação guiada. Os orientais são educados desde pequenos a ficarem em silêncio, e nós, ocidentais, não.

Pratica meditação a que horas?

Logo ao acordar, ao começar o dia. Ficamos logo com energia e com um bem-estar incrível. E também ao deitar, porque faz com que se durma superbem.

Nunca falha?

Faço todos os dias. Com a vida que tenho, que implica muitas viagens, nunca se sabe bem. Normalmente faço todos os dias de manhã mas, se viajar e não conseguir, faço a prática quando acordar. Sempre que durmo, acordo e faço a prática.

Pratica outros desportos?

Pratiquei judo e karaté, sou cinto verde, e sou cinto preto, segundo dan, que é o segundo nível em taekwondo. Mas este ano não consegui quase praticar, porque o taekwondo não é como o ioga. Nesse sentido, o ioga, o meu estilo de ioga, que é o Ashtanga, é mesmo individual. Mas mesmo que estejamos em grupo, cada pessoa faz a sua prática em conjunto, e então, onde quer que esteja, posso fazer a minha prática. O taekwondo também me permite treinar sozinha, mas um cinto preto tinha de treinar todos os dias e deveria treinar com alguém mais graduado.

No podcast “Kaffa com Alma”, acompanhados de um café, Cuca Roseta e os seus convidados partilharam experiências, revelaram momentos inspiradores e entregaram a uma entidade previamente seleccionada por cada um dos convidados um donativo de uma marca de café. Que balanço faz dos seis episódios nos quais assumiu o papel de anfitriã e convidou amigos para uma conversa? Como foi estar no papel de entrevistadora?

Foi um desafio e mostrou que também tenho um lado de comunicadora. Gosto muito de ouvir os outros. Sempre fui a amiga que ouve e que ajuda e, por isso, foi muito interessante. Adorei e gostava de continuar.

Onde podemos ouvir este podcast?

No YouTube.

Viaja muito e gosta de destinos de praia. Qual foi o destino que mais gostou de visitar?

Tenho um fascínio pela Ásia. Um dos sítios que mais me marcaram foi Goa. E também as Maldivas. São um tesouro, um paraíso na terra. É mesmo maravilhoso.

Quais são as suas maiores referências musicais?

No fado, sem dúvida, a Amália Rodrigues. É a minha grande referência, tanto que lhe dediquei um álbum de homenagem. As minhas outras referências musicais são Tony Bennett, Frank Sinatra, Édith Piaf, Nat King Cole. Gosto muito também de Freddy Mercury, Michael Jackson... Maioritariamente, o que ouço é jazz. E música antiga. [risos]

É uma mulher que vive o seu corpo sem complexos. Isso parece incomodar algumas pessoas...

Acho que o nosso país continua a ser muito machista, o que é um bocado triste porque vemos o mundo a evoluir, mas a misoginia e o preconceito persistem. As mulheres livres ainda incomodam muita gente.

Será que temos de andar todas de gola alta?

Parece que sim... Algumas figuras públicas são acusadas de se “quererem mostrar”, mas as pessoas saem de casa e já se estão a mostrar, não é? E se estiverem de biquíni? Vamos à praia e está cheia de gente de biquíni. Por detrás de um teclado há quem ache que pode ofender gratuitamente.

Ser bonita é uma mais-valia para ter uma agenda de espectáculos concorrida?

Actualmente, com uma carreira consolidada, já pode ser uma mais-valia, mas inicialmente não era. Foi o contrário. Tive muitas pessoas que, com muita sinceridade, chegavam ao pé de mim, quando comecei a cantar em casas de fado, e me diziam: “Nunca pensei que uma menina magra e bonita tivesse boa voz.” Há esse preconceito, e isso era uma coisa que me entristecia muito. A minha grande paixão é a música. Tive vários managers que se sentaram à minha frente e me disseram: “És um bom cocktail porque és gira.” E eu respondia: “Não. O que quero é alguém que me diga ‘cantas bem e podes fazer uma carreira musical’.” Estava a licenciar-me em Psicologia e tive algumas propostas para cantar, mas não achei que fossem suficientemente consistentes para poder deixar a minha vida como psicóloga. Porque o que lhes interessava era a beleza, a “modelo”, não a fadista. E eu não ia deixar uma carreira para ficar na música se não tivesse a certeza de que valia a pena. Mas acho que, actualmente, já pode ser uma mais-valia, sim. O fado mudou muito com a nova geração por causa disso mesmo, porque o fado estava associado... lá fora, principalmente, quando nos vêem cantar, algumas pessoas ficam surpreendidas porque associam as fadistas a mulheres com bigode e todas vestidas de preto. E quando vêem uma jovem a cantar, que é moderna, ficam estupefactas, e isso é bom para o nosso país. Acho que é uma mais-valia quando vemos uma mulher a cantar bem vestida e a sua sensualidade não lhe retira valor e talento. O fado não é o visual de quem o canta, é outra coisa. É algo que vem da alma. E cada interprete é como é.

Quando canta no estrangeiro vê pessoas no público que ficam tocadas, mesmo sem entenderem a letra?

Sim, e é espectacular. Isso é o que mais me deslumbra no fado. E por isso é que amo cantar em Portugal, mas fascina-me também cantar lá fora. Porque muito poucas vezes cantei para comunidades portuguesas - até posso dizer que foram apenas três vezes na minha vida inteira -, e nós viajamos pelo mundo inteiro e cantamos para alemães, japoneses, polacos, espanhóis, inúmeras nacionalidades, e é incrível vê-los sentir a música sem entenderem os poemas.

É a força do fado enquanto world music...

Sim, e daí ter-se tornado património imaterial da humanidade. Isso mesmo, enquanto world music - acho que as pessoas não têm noção disso. Assim como gostamos de ver um espectáculo de flamenco, também pessoas de outras nacionalidades gostam de ver um espectáculo de fado. Acho que está mais ou menos na mesma linha, mas de uma forma diferente, que é o retrato da nossa cultura. E é incrível como o fado é uma música sem fronteiras, é uma música mesmo da alma, e é muito bonito pensar isso, porque nós, como intérpretes, realmente temos de ir ao fundo da nossa emoção e da nossa alma para contarmos histórias sobre a nossa verdade. E é muito bonito ver que essa verdade é tão profunda que se torna universal, que toca no outro também, na sua alma, mesmo que ele não entenda as palavras.

A sua canção “Amor de Domingo” reza assim: “Eu quero um amor de domingo/ Que se sente tão devagarinho/ Que conversa à lareira/ O sossego e uma ideia/ Sabe a paz e o pão quente da aldeia”. É assim, para si, um dia de folga?

É muito bom! Porque trabalho muito e com muita gratidão, mas sou mãe. E sou uma mãe muito galinha. Os meus filhos vão comigo para todo lado (já viajaram pelo mundo inteiro) mas também precisam de me ter a tempo inteiro. É óptimo quando tenho um dia para lhes dedicar só a eles, para fazer o que eles querem, para estarmos todos juntos, em família. É mesmo necessário para alimentar o amor da minha família, para os nutrir. Depois volto ao trilho.

Eles já cantam? Costumam cantar juntos em casa?

Eles cantam os dois maravilhosamente, mas o Lopo diz que não canta em público [risos], o que é uma chatice. Ele põe muito sentimento no que canta. A Benedita é uma excêntrica [risos], tem seis anos e adora subir para cima das mesas e cantar, e também canta bem.

Eles mostram interesse em aprender algum instrumento?

Mostram! Estão rodeados de instrumentos em casa. Temos um piano, um violão, três violas, vários djembes, e agora tenho uma bateria. Portanto, eles estão rodeados de música. A Benedita tem começado a descobrir músicas. Vai ao YouTube tirar as músicas e depois aprende, isto apesar de só ter seis anos. Eles têm isso naturalmente. E é bom, porque nasceram nesse meio, no meio dos músicos.

É muito ligada à sua família?

Sou. Tenho uma família grande e somos todos muito chegados. Não há uma semana que não haja um encontro em casa dos meus pais. São cinco filhos e, embora o meu irmão viva em Lisboa, os outros vivem todos aqui na zona [Cascais] e acabamos por nos cruzar em casa dos meus pais. Os netos estão sempre todos juntos e é espectacular.

O amor é o sal da vida?

Sem dúvida. Costumo dizer que o amor é a única coisa permanente que existe na vida. Tudo o resto não está garantido. O amor é a realidade que vive para sempre, até para lá da morte. É esse mistério que é o mais lindo da vida. Essa é uma mensagem que faço questão de passar sempre nos meus concertos. O amor deve começar por ser entregue aos que estão à nossa volta, na família, mas também no trabalho. Cada vez que saímos de casa, mesmo que estejamos tristes, devemos sorrir aos outros. Só isso já é um ato de amor.

A paz interior trabalha-se?

Sim, claro. Assim como o corpo, o espírito precisa de alimento. Até tenho uma música em que falo sobre isto. “Sem sustento, morrerá no tempo.” E é disso também que falo no meu livro. É uma prioridade olharmos para nós, encontrarmo-nos connosco, descobrir a nossa essência. Principalmente nesta fase que estamos a viver, com um stresse gigante. Com medo, com dúvidas, a pandemia, a guerra, a crise, a inflação. E, portanto, sem dúvida alguma que é importante darmos prioridade a amarmo-mos. E às vezes são precisos apenas cinco minutos. Ensino técnicas de respiração que se fazem em cinco minutos. Não é preciso muito para estarmos conectados.

Qual é a sua maior conquista?

A minha família. Sempre foi o meu maior sonho constituir família.

É o seu refúgio?

Sim, é o meu porto seguro. E quero que seja também o dos meus filhos, porque foi isso que me foi ensinado pelos meus pais. Independentemente de ter cantado para o Papa Francisco e de ter conseguido falar com ele, de ter cantado para o Papa Bento XVI, para os reis da Suécia - que foi um sonho, jantámos juntos, uma mesa com 100 pessoas -, ter cantado para os reis de Espanha, apesar de ter passado por experiências incríveis, que me marcaram muito e que nunca imaginei ter, muito para lá dos meus sonhos, continuo a dizer que a minha grande conquista é a minha família.

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