Cruzeiro Seixas: fragmentos de um artista permanente

“Não vivi, mas deixarei documentos desse não viver.” Ao contrário do que disse um dia, deixou uma obra vasta e permanente, que continuou até ao fim. No dia do seu aniversário, regressamos a esse universo em “O Sentido do Encontro”. Na Sociedade Nacional de Belas Artes, a maior exposição alguma vez dedicada em Portugal a Cruzeiro Seixas.



Nunca se assumiu como o papa do surrealismo português. Detestava que lhe chamassem artista e não teve problemas em destruir algumas das obras que criou ao longo do percurso que trilhou durante praticamente oito décadas. Viveu 99 anos, quase todos eles depoimento da vida que deixou na arte que produziu.

O regresso ao seu universo artístico é inevitável. No encerramento das comemorações do seu centenário, que arrancaram a 3 de Dezembro de 2020, voltamos a partir desta sexta-feira à obra de Cruzeiro Seixas em “O Sentido do Encontro”, a maior exposição de sempre dedicada ao artista, patente na Sociedade Nacional de Belas Artes até 26 de Fevereiro de 2022.

Trata-se do testemunho inequívoco de um dos últimos surrealistas portugueses, organizado pela Fundação Cupertino de Miranda, juntamente com o Ministério da Cultura e outras quatro entidades que se juntam para manter viva a obra e memória do artista português.

Entre objectos, esculturas, desenhos à pena e pinturas, a mostra reúne 160 obras de Cruzeiros Seixas que percorrem as diferentes técnicas desenvolvidas pelos surrealistas. Marlene Oliveira, directora artística da Fundação Cupertino de Miranda, assume a curadoria, juntamente com o teórico e coordenador do Centro Português do Surrealismo, Perfecto E. Cuadrado.

Ao NOVO, num artigo para ler na íntegra na edição em papel desta semana (3 de Dezembro), a curadora explica que, além dessas técnicas e abordagens escolhidas pelo artista que percorre, “O Sentido do Encontro” conta ainda com uma parte dedicada à sua passagem por África, nos 14 anos que viveu fora de Portugal, bem como o lado mais íntimo do artista. É nesse âmbito que estará exposto o cadeirão onde passou uma boa parte dos seus últimos anos, assim como a série de 42 cadernos daquilo a que chamava um “Diário Não Diário”. Era um registo de memórias, projectos e ideias em que recorria essencialmente à colagem, com fragmentos de vivências com os quais criava um espaço de pensamento com simples alusões diárias do que se passava no seu universo pessoal e profissional.

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