Cinemas independentes são os que melhor estão a resistir à crise

Em 2021, os cinemas nacionais recuperaram espectadores, mas continuaram a pouco mais de um terço dos valores de 2019. Há, contudo, três salas que fogem à regra. O NOVO falou com exibidores para tentar perceber porquê - e que tendências podem estes números apontar para o futuro, num artigo para ler na íntegra na edição em papel desta semana.



Depois da hecatombe que 2020 foi para os cinemas portugueses, com uma quebra de 75,7% em número de espectadores e de 75,4% em receitas de bilheteira face a 2019, o ano que passou não foi, de forma alguma, um ano de regresso ao que era, até 2019, a normalidade dos números. A retoma face ao ano anterior com que o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) apresentou esta semana os dados detalhados da distribuição e exibição cinematográfica em Portugal é um facto. Mas os valores continuam muito longe dos anteriores à pandemia. A realidade continua a prestar-se a trocadilhos kubrickianos: com 64,6% de quebra no número de espectadores face a 2019, 2021 foi ainda um ano de odisseia nos cinemas.

Mas o cenário não se repete por todas as salas da mesma forma e o que os dados do ICA mostram de forma inequívoca é que, já desde 2020, os cinemas independentes portugueses estão a resistir melhor à crise provocada pelos encerramentos e restrições implementados como forma de combate à pandemia do que os restantes. É um universo reduzido - e de nicho. Trata-se, ao todo, de três salas: o Cinema Nimas e o Cinema Ideal, em Lisboa, e o Cinema Trindade, no Porto.

Em 2020, e num cenário em que todos os outros exibidores registaram quebras acima dos 70% em espectadores face ao ano anterior, a Nitrato (dona do Cinema Trindade) caiu 51,5% em admissões, a Midas Filmes (Cinema Ideal) 44,6% e a Medeia Filmes menos ainda: 36,9%. Em 2021, as variações são pouco significativas quando se comparam os números com os do ano anterior ao início da pandemia: no caso do Trindade, uma quebra de 41,3% face a 2019, no Ideal de 46,8% e na Medeia Filmes (a que menos tinha caído em 2020) de 44%, de acordo com os dados que o ICA tornou públicos na sua newsletter de Janeiro.

Os dados relativos apenas ao Cinema Nimas fornecidos pela Medeia Filmes ao NOVO apontam para uma tendência inversa às quebras plasmadas nos números do ICA, pelo facto de o exibidor, que em tempos chegou a explorar o Cinema Monumental, encerrado definitivamente ainda em 2019, incluir outras pequenas salas de gestão municipal fora de Lisboa, com uma programação mais esparsa - e um público mais reduzido. De acordo com a Medeia, o Cinema Nimas teve, em 2019, 37 517 admissões e o número aumentou, mesmo com os períodos de confinamento e restrições, para 40 390 em 2020 (ano em que passou a concentrar parte da programação que até então se fazia no Monumental) e para 38 270 em 2021.

$!Cinemas independentes são os que melhor estão a resistir à crise
Ler mais
PUB