Art(e)facts: nestas aldeias a tradição aponta o futuro

Numa partilha de conhecimento entre tradição e contemporaneidade, designers, arquitectos e artistas colaboraram com os artesãos de seis localidades do Fundão e da Guarda, pelas quais o resultado da 1.ª Bienal Art(e)facts pode ser visto num percurso expositivo, até 9 de Setembro.



Na pequena aldeia de Janeiro de Cima, num vale pitoresco localizado nas margens do rio Zêzere, no Fundão, o som dos teares é a prova de uma tradição ancestral que se mantém viva, que recupera a dureza do passado, mas que também é sinónimo de futuro. Sónia Latado abre-nos as portas da Casa das Tecedeiras, onde, juntamente com Rosa Pereira - ambas artesãs locais -, ajudou a criar a obra “Para tecer um roteiro”, concebida pela artista peruana Andrea Canepa e a matemática canadiana Vanessa Foster.

Em residência artística durante cerca de um mês, “houve uma partilha de conhecimento e elas rapidamente perceberam a técnica”, conta Sónia, enquanto mostra os teares de pedais que deram forma a um desenho singular, criado a partir de algoritmos, inspirado em fórmulas da matemática Ada Dietz. Duas peças com padrões de múltiplas cores, tecidas com fios de algodão e expostas ao meio de uma sala pontuada de mantas e retalhos, revelam o processo que aqui teve lugar.

Este é apenas um dos seis vestígios da 1.ª edição da Bienal Art(e)facts, iniciativa que juntou artesãos e criadores contemporâneos em localidades da Beira Interior com o objectivo de criar novos espaços de partilha e diálogo entre diferentes gerações e saberes.

Integrada na candidatura da Guarda a Capital Europeia da Cultura 2027, a Art(e)facts surgiu pela mão de Andreia Garcia, curadora da iniciativa e responsável pela área de Arquitectura e Território da candidatura. Depois de Janeiro de Cima, as localidades de Alcongosta, Telhado, Fundão, Famalicão da Serra e Gonçalo definem o roteiro inaugurado no início deste mês.

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