A família do século XXI à espreita no abismo

A família é um espaço de debate contínuo. Afinal, o que a define no século XXI? Pedro Penim foi em busca de respostas com a peça “Pais & Filhos”, que se estreia nesta quarta-feira, a marcar a abertura de temporada do Teatro São Luiz, em Lisboa.



Com a queda do Muro de Berlim pronunciou-se em 1989 o fim da História e o chamado pós-modernismo parece ter deitado por terra as grandes narrativas que orientavam um determinado pensamento ocidental, baseado nas instituições que se consolidaram ao longo dos séculos e que lhe serviam de base. É aqui que entra a família, entidade que mantém viva uma tradição longínqua que é a base de uma boa parte da convivência social. Mas estará para durar?

A questão não é nova. Em “Pais & Filhos”, a nova peça do encenador Pedro Penim, que inaugura nesta quarta-feira a nova temporada do São Luiz, em Lisboa, abre-se um novo espaço de debate sobre a temática. Afinal, o que pode a família no século XXI?

Dividida em cinco actos, “Pais & Filhos” abre com um prólogo protagonizado pelo próprio encenador, que em jeito de palestra fala sobre um processo de gestação por substituição em curso, para que ele e o marido possam ter uma criança. Ficção ou realidade, a história que ali se conta serve de base para uma discussão sobre a família nas suas mais diversas questões. Hoje, como diz, “podemos procriar de forma mais tecnológica” e um casal homossexual pode ter igual acesso à experiência que milhões de casais heteronormativos tiveram. Mas também esse processo tem um custo, fruto da gestão neoliberal que passou a dominar os modos de vida ocidentais.

Para a construção desta peça, Penim serviu-se, conforme conta ao NOVO num artigo que pode ser lido na íntegra na edição em papel de 10 de Setembro, da “pujança literária” da obra “Pais e Filhos”, de Ivan Turgueniev, um dos romances mais celebrados da literatura mundial, escrito em 1862, colocando-o em diálogo com a obra “Full Surrogacy Now: Feminism Against Family”, publicado em 2019 por Sophie Lewis, feminista comprometida com a ecologia cyborg e o comunismo queer. A junção serviu para trazer a narrativa do romance para a contemporaneidade, mas também como forma de promover a desconstrução de estereótipos que envolvem os núcleos familiares tradicionais ainda hoje.

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