Costa, homicida político do Jovem Turco

Pedro Borges de Lemos
30 de Junho de 2022

A revogação do despacho de Pedro Nuno Santos para os novos aeroportos, por parte de Costa, confirma a alta tensão que se vive entre ambos. Tensão que já justificara a falta de destaque a que Costa votou Pedro Nuno Santos no elenco deste Governo. Tenho, para mim, que esta desautorização não foi mais do que um passa-pé de Costa para derrubar politicamente e de forma definitiva o ministro das Infraestruturas. Costa sabia da intenção do seu ministro de levar adiante o plano para os novos aeroportos e nada fez para o travar antes de o contradizer, agora, publicamente. Por outro lado, Costa foi hábil em ter dado palco a Luís Montenegro, alegando a valorização do debate democrático num tema essencial para o país, mas tendo por fito comprometer o futuro líder da oposição numa questão para a qual o PSD terá de ter uma proposta firme sobre a matéria. Pedro Nuno Santos é um populista é um radical das fileiras do PS e este seu tropeção retira- lhe, as já muito ténues esperanças, em substituir Costa na liderança do PS. Eu diria que Costa cometeu homicídio político qualificado contra Pedro Nuno Santos, mas, tenho plena certeza, que dentro do PS não haverá uma única crítica ao gesto do primeiro-ministro. Matar politicamente alguém, desta forma, revela especial censurabilidade e perversidade embora a desautorização não tenha sido motivada por uma razão torpe ou fútil porque efetivamente o ministro deveria ter informado quer o primeiro-ministro quer o presidente da República da intenção de produzir o polémico despacho. O iter criminis percorrido por Costa é que gera especial perversidade, senão vejamos, desde que foi destinada uma das pastas mais efervescentes do atual Governo para Pedro Nuno Santos, passando pela sua ostensiva despromoção na escala do executivo, até à sua atual desautorização, nada foi deixado ao acaso pela simples razão de que ele é um dos homens que tinha deixado de servir até porque era o rosto de uma geringonça falida que faz recordar um Governo extremista e colado aos radicais do regime que atraiçoaram Costa e que ele agora renega.