Há recursos de sobra mas falta dinâmica para alavancar o turismo sustentável

Existe uma maior preocupação com a sustentabilidade e o ambiente em Portugal, mas a estratégia em torno do turismo sustentável precisa de ser solidificada e as regiões e os produtos devem ser mais valorizados. O plano elaborado pelo Turismo de Portugal merece elogios. Pede-se, no entanto, mais acção a nível local.



O impacto das alterações climáticas, que se faz sentir cada vez mais em Portugal e no resto do mundo, tal como a importância de gerir e saber reaproveitar recursos, tem contribuído para uma maior preocupação com o ambiente e para uma maior noção quanto à necessidade de apostar e investir na sustentabilidade. Uma das vertentes dessa política de sustentabilidade é o turismo, sector que tem sido fundamental para alavancar a economia nacional e que dá sinais de retoma após ser muito afectado pela pandemia de covid-19.

O turismo sustentável tem dado os seus passos e o Turismo de Portugal elaborou o Plano Turismo +Sustentável 2020-2023, com o grande objectivo de tornar Portugal um dos destinos mais sustentáveis do mundo. No sentido de compreender melhor o panorama nacional no que diz respeito ao turismo sustentável, o NOVO falou com Mário Carvalho, presidente da direcção nacional da Associação Portuguesa de Turismo Sustentável, que reconhece que “as instituições começam a olhar para o ciclo das alterações climáticas e tudo o que daí advém: a utilização dos plásticos, as energias renováveis, a economia circular”. No entanto, falta dinâmica. “Há, de facto, um desígnio no próprio discurso de toda a gente, mas, se calhar, tem-se feito menos do que seria possível (...) Precisamos de sedimentar esse processo e fazer um bocadinho mais pelos destinos, porque estamos a fazer muito pouco”, aponta Mário Carvalho, acrescentando que “continuamos a ver foguetes, música na estrada, e quanto ao que deviam ser as políticas de sustentabilidade - neste caso, no turismo - pouco acontece.” “Nós sentimos isso porque levamos essas propostas a muitas autarquias e, depois, as coisas não andam. Enfim, é uma perda de oportunidade”, sublinha.

O responsável da Associação Portuguesa de Turismo Sustentável salienta o trabalho desenvolvido pelo Turismo de Portugal, cuja política nesta matéria é a “correcta”. O problema verifica-se com as autoridades locais.

“O que está a custar é o resto do território absorver essa dinâmica. As câmaras municipais, as comunidades intermunicipais (CIM), as próprias acções das regiões de turismo, o seu papel é curto na ligação ao território”, assinala Mário Carvalho, que considera que subsistem dúvidas na forma como se define e classifica o turismo sustentável. “Dentro de um destino como o Gerês, a serra da Estrela ou o interior alentejano, o que é sustentável e o que é menos sustentável? Como é que o consumidor consegue discernir e optar por este ou por aquele alojamento em função dos critérios?”, questiona. “O cliente internacional, o turista mais avisado - falo dos turistas do norte da Europa, que são aqueles que procuram os destinos mais sustentáveis - tem algumas dificuldades em encontrar algo em que se reveja em Portugal. É tudo muito cru”.

Leia o artigo na íntegra na edição do NOVO que está esta sexta-feira, dia 22 de Julho, nas bancas.

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